A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda-feira (9), quando comemora-se o Dia Internacional Contra a Corrupção, a Operação Expugare, que visa desarticular um grupo criminoso envolido em um suposto esquema de grilagem de terras, exploração ilegal de madeira, além de fraudes na geração de créditos de carbono na Amazônia. A operação ocorreu simultaneamente em Pernambuco, Rondônia e no Amazonas.
Os policiais federais prenderam dois servidores e ainda afastou o diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, Juliano Valente. Também houve afastamento de quatro funcionários do Governo do Amazonas que ficaram responsáveis pela fiscalização e licenciamento ambiental.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisões preventivas, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Manaus.
As investigações da PF apontaram que os funcionários que atuavam no Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) facilitavam a emissão de licenças ambientais fraudulentas, a suspendiam multas e autorizavam o desmatamento irregular.
Segundo a PF, o grupo criminoso expandiu as atividades ilícitas entre os anos de 2016 e 2018. Eles reutilizavam títulos de propriedade e inseriam informações falsas no Sistema de Gestão Fundiária, com a colaboração de servidores públicos e responsáveis técnicos.
A operação Expurgare é a terceira fase da operação Greenwashing, que revelou um esquema de fraudes fundiárias em sua primeira fase. Na segunda fase, houve bloqueio de bens dos investigados, após eles tentarem adquirir apartamentos ainda na planta, avaliados em R$ 15 milhões. Os envolvidos solicitaram a rescisão contratual do depósito em contas de laranjas para esconder o patrimônio.
O suposto esquema de grilagem (invasão de terras públicas sem autorização do órgão competente), geração de créditos de carbono e esquentamento de madeira movimentou R$ 1,6 bilhão, que deve ser bloqueado.
Os créditos de carbono são certificados que representam a não emissão de uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Eles são a moeda utilizada no mercado de carbono, que visa reduzir a emissão de gases de efeito estufa (GEE).