Desaparecido desde o dia 7 de outubro, o brasileiro-israelense Michel Nisenbaum chegou a ser apontado como um dos sequestrados pelo Hamas durante o ataque que foi o estopim para a guerra entre Israel e o grupo. Mas, após 52 dias, a família vive a angústia de não saber se ele é mesmo um dos sequestrados ou se foi morto naquele dia, relata a irmã de Michel, Mary Shohat, ao Globo.
— O notebook dele foi localizado em Gaza, por geolocalização, por isso as autoridades israelenses acham que ele também está lá. Mas não temos 100% certeza que ele está sequestrado. Dizer para a gente que o notebook está na Faixa de Gaza não significa que ele esteja na Faixa de Gaza também — diz Shohat, que trabalha como enfermeira em Israel, em uma cidade a 50 quilômetros de Gaza.
O último contato que a família teve com Michel, de 59 anos, foi na manhã do dia 7 de outubro, quando o brasileiro-israelense estava a caminho de uma base militar em Re’im para buscar a neta de quatro anos, que passara o fim de semana com o pai, soldado do exército israelense.
O último contato
Naquele dia, militantes do Hamas iniciaram a incursão terrestre e aérea contra Israel por volta das seis e meia da manhã. Mary conta que a filha de Michel falou com ele por volta das sete horas da manhã. A ligação seguinte foi atendida por outra pessoa:
—Estavam gritando coisas em árabe. No fim, gritaram "Hamas, Hamas". Depois desligaram o telefone e, desde então, não soubemos de mais nada. Começamos a pensar que ele tinha virado refém ou foi morto. Não tem outra possibilidade.